Consumidor paulista já sente problemas financeiros e adia compras | ACIRP


26/03/2021

Consumidor paulista já sente problemas financeiros e adia compras

O Índice de Confiança São Paulo, da ACSP, mostra queda de sete pontos na passagem de fevereiro para março. Desemprego e queda na renda preocupam


 

A confiança do consumidor paulista em relação à economia caiu para 71 pontos em março, sete a menos que o registrado em fevereiro. Os dados são do Índice de Confiança São Paulo, pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), feita pela Behup.

O indicador, que varia de 0 a 200, mostrou que em março o poder de compra dos paulistanos diminuiu. Os pesquisadores ouviram neste mês 800 pessoas pertencentes a todas as classes sociais na região metropolitana, no interior e no litoral.

O agravamento da pandemia, o fim do auxílio emergencial e as medidas restritivas para o comércio, bares e restaurantes estão sendo muito sentidos neste momento, de acordo com o economista da ACSP Marcel Solimeo.

Em fevereiro do ano passado, quando não se tinha ainda a notícia de que havia grande número de contágios provocados pelo novo coronavírus no Brasil, a confiança estava em 102 pontos. Logo em seguida, este índice mais otimista foi caindo. Em maio e junho de 2020, registrava 73 pontos. Houve uma pequena recuperação nos meses seguintes, e em outubro chegou a registrar 85 pontos. Mas voltou a cair a partir daí.

“Naquele instante havia menos medidas restritivas à economia e a sensação de que o contágio da doença estava um pouco mais controlado no país. À medida que as restrições chegavam, a confiança diminuía, mas nada que causasse um grande pessimismo no consumidor”, analisa Solimeo.

De fevereiro para março, no entanto, houve uma queda brusca de 7 pontos. “Infelizmente, agora, a tendência é que este quadro piore ainda mais, porque a pandemia está descontrolada”, afirma o economista da ACSP.

SITUAÇÃO FINANCEIRA

De acordo com a pesquisa, 56% dos consumidores paulistas enxergam que sua situação financeira está ruim ou péssima, 10% a mais que em fevereiro. Do número total, apenas 21% dos paulistas afirmam estarem bem financeiramente, 8% a menos do que no mês passado.

O levantamento mostra ainda que 64% dos pesquisados dizem estar insatisfeitos com suas finanças, 11% a mais que o registrado na última pesquisa.

Apenas 16% dos entrevistados estão satisfeitas economicamente, 9% a menos que em fevereiro. “A população está mais pobre; portanto, os números da pesquisa não nos surpreendem”, afirma o economista.

EMPREGO

Neste mês, somente 18% dos consumidores paulistas afirmaram estar confiantes em relação aos seus empregos, aos de seus amigos ou familiares.

Do total, 48% estão um pouco ou muito menos confiantes. Este número é justificável quando se cruza com outro dado. Do total de entrevistados, 72% disseram que ele próprio, um de seus familiares ou conhecidos perderam o emprego por causa da economia nos últimos seis meses.

Além disso, 49% projetam que podem perder o emprego ou ver alguém de sua família nesta situação nos próximos seis meses.

Do universo de entrevistados, 79% afirmaram ainda sentir que o desemprego vai aumentar no Estado de São Paulo. Em fevereiro, os pessimistas em relação à falta de emprego eram 62%.

“Estamos alertando já faz tempo que os empresários não teriam condições de segurar os empregos dos trabalhadores, caso não houvesse contrapartidas do poder público como a redução das alíquotas de ICMS, aumento de prazo para pagamento de outros impostos e acesso a crédito com juros baixos”, diz Solimeo.

Para o economista, “as pessoas estão começando a perder os empregos e a tendência é piorar ainda mais se nada for feito de efetivo para ajudar os empresários.”

CONSUMO

Os paulistas também estão perdendo o poder de compra, segundo a pesquisa. Hoje, somente 18% se sentem mais confiantes em investir parte de suas economias em bens de grande valor, como carro ou casa. No mês passado, 25% diziam estar com esta confiança.

Os números são, praticamente, os mesmos quando as pessoas são perguntadas em relação a bens de valor médio necessários para as casas, como geladeira ou fogão. Em março, só 17% se mostraram confiantes em fazer este tipo de compra, 11% a menos do que em fevereiro.

“A falta do auxílio emergencial e o fechamento dos postos de trabalho contribuem para que o consumidor tenha poucas condições de movimentar a economia”, afirma Solimeo. “Para resumir, quem comprou, comprou”, finalizou.

 

FONTE: Diário do Comércio | IMAGEM: Thinkstock



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