Não dá mais para o varejo ser um negócio preguiçoso | ACIRP


12/04/2019

Não dá mais para o varejo ser um negócio preguiçoso

“Não dá mais para o varejo ser um negócio preguiçoso”, decretou o economista e administrador Francisco Alvarez em palestra realizada na última quinta-feira (4/4) na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), centro da capital paulista. Alvarez conversou com empreendedores sobre as tendências apresentadas na edição deste ano da NRF, maior feira varejista do mundo, realizada em janeiro em Nova York. Ele coordena a missão empresarial que a ACSP organiza todos os anos à NRF.

O alerta de Alvarez é direcionado tanto a lojistas físicos quanto virtuais. Se antigamente bastava abrir uma loja e ficar à espera dos consumidores, hoje em dia a competição está acirrada e é preciso ter uma atitude mais proativa, “garantir a visitação do cliente por meio de experiências e iniciativas que promovam a interação entre pessoas”. Ele citou o exemplo de um supermercado norte-americano de produtos saudáveis que oferece maçãs aos clientes como forma de se aproximar da comunidade e promover seu propósito empresarial. O economista e administrador afirmou que as empresas precisam ter presença forte nas mídias sociais e no ambiente virtual como um todo, a fim de buscar o cliente.

NRF

De acordo com o palestrante, a NRF 2019 apresentou muitas possibilidades para o futuro do varejo, muitas fortemente baseadas em tecnologia. No entanto, o economista deixou claro que existem opções para todos os bolsos, tamanhos e estilos de negócio. “O varejo sempre vai existir, independentemente de tecnologia, porque o varejo é pessoas”.

Os números do evento são grandiosos. Em 2019, segundo dados apresentados por Alvarez, foram 40 mil participantes, 16 mil varejistas de 100 países, 700 expositores e 200 palestras. Tudo isso em três dias. O Brasil, já há alguns anos, vem sendo a primeira ou segunda maior delegação estrangeira presente na feira. “Por causa disso, hoje todas as palestras da NRF já contam com tradução simultânea para o português”, revelou o administrador.

Entre as missões brasileiras que vão para a NRF todos os anos, uma das mais tradicionais é a organizada pela ACSP em parceria com a São Paulo Chamber of Commerce. Diferentemente de outras delegações, a da ACSP leva empresários para outros polos varejistas além da NRF, para que não fiquem restritos às influências norte-americanas. No ano passado, além de NY (sede da NRF), os participantes foram para Londres. Neste ano, complementaram a viagem com visitas técnicas a varejistas de Madri.

“A ACSP se coloca como parceira do micro e do pequeno empreendedor. Nosso objetivo é fomentar a comunidade empreendedora, criar um ambiente propício para a troca de experiências e estimular os negócios entre nossos associados", comentou Valéria Paulina Lopes, gerente comunicação e marketing da ACSP.

Tendências

Alvarez citou tendências como big data, inteligência artificial, câmera de reconhecimento facial, internet das coisas, realidade aumentada, realidade virtual, ink paper, robô, assistente de voz, gôndolas e provadores inteligentes e RFID/QR Code. No entanto, como algumas dessas tecnologias são ainda muito caras ou estão longe de se tornarem realidade concreta, Alvarez elencou três instrumentos que podem ser usados pelos varejistas brasileiros, em especial os pequenos e médios, sem grandes custos:

  1.     Software de gestão de estoque. O estoque é o capital do lojista; é o que ele usa para transformar mercadoria em dinheiro. Por isso, ter controle sobre o estoque é administrar os ganhos da empresa. É preciso investir nos itens de maior demanda.

 

  1.     Câmeras de fluxo de pessoas. Hoje em dia, por um valor entre R$ 400 e R$ 500 por mês, o comerciante consegue contratar serviços de monitoramento de fluxo de pessoas, que medem a quantidade de clientes que entram na loja, por onde entram, onde ficam parados por mais tempo.  

 

  1.     Mídias sociais. Seguindo o critério de que o varejo não pode mais ser preguiçoso, Alvarez afirma que as empresas precisam garantir presença nas mídias sociais e no ambiente virtual como um todo, de forma a buscar o cliente em vez de apenas esperarem ser buscadas.