Quarentena redefine o mercado de beleza | ACIRP


12/07/2020

Quarentena redefine o mercado de beleza

Durante a quarentena, muitas mulheres abandonaram práticas que faziam parte de sua rotina de beleza, como aquisição de produtos e também serviços, como cortar e pintar o cabelo


Com a necessidade de ficar mais em casa, as brasileiras têm tido cada vez menos tempo para si mesmas. Com as jornadas múltiplas ainda mais evidenciadas pela pandemia, houve uma alteração nas prioridades e desejos das pessoas. Isso impacta diretamente os hábitos e no cotidiano das consumidoras - há um desequilíbrio entre o que elas estão fazendo e o que elas realmente gostariam de estar fazendo.

No caso das mulheres que estão mais dedicadas aos afazeres domésticos e à educação dos filhos, falta tempo e disposição para uma rotina de beleza. E o mercado já sente esse impacto.

Uma pesquisa MindMiners, empresa especializada em pesquisa digital, revela que, em média, nove produtos faziam parte dos cuidados diários das mulheres antes da pandemia, além de irem regularmente aos salões de beleza. Com a determinação da quarentena, elas mantiveram apenas o consumo de produtos de higiene básica - sabonete, xampu, condicionador e hidratantes -, e não modificaram os hábitos de compras desses itens. Ou seja, não mudaram de marca e canal de vendas, permanecendo dentro daquilo que já estavam habituadas.

De acordo com Flávia Franco, head de pesquisa da MindMiners, a permanência desses produtos se deve ao fato de supermercados e farmácias terem a abertura priorizada durante toda a quarentena.

Por outro lado, o consumo de protetor solar e perfumes, que também compõem o dia a dia das consumidoras, caiu significativamente, com retração de 54% e 45%, respectivamente. De acordo com Flávia, apesar de alarmantes esses números podem ser encarados como uma oportunidade.

No caso dos protetores, ela cita a importância das marcas usarem esse momento para educar os consumidores, que ainda podem ter a falsa ideia de que a falta de exposição à luz solar dispensa o uso do produto, quando na verdade, o uso se torna ainda mais importante.

O uso de maquiagem também mudou. Apenas 9% das entrevistadas disseram ter mantido o hábito de se maquiar durante a quarentena. Outras 29% declararam ter diminuído e 38% deixaram de usar maquiagem.

Com os salões de beleza fechados, o faça você mesmo também virou moda entre as brasileiras. Cerca de 44% afirmaram ter parado de fazer as unhas, enquanto 43% passaram a fazer a própria unha.

O mesmo aconteceu com a categoria depilação e sobrancelha, que tiveram redução de 45% e 46%, respectivamente. Outros 70% deixaram de cortar o cabelo.

Mesmo assim, as mulheres se mostram otimistas quando o assunto é a retomada de sua rotina de beleza. De acordo com o relatório, em geral, a maioria pretende, após a quarentena, retomar a rotina de tratamentos estéticos, como drenagem linfática, unhas e procedimentos faciais, com a mesma frequência que realizavam antes da pandemia.

Quem afirmou que irá diminuir o número de idas aos salões justifica que durante os últimos meses aprendeu a se cuidar melhor sem precisar gastar muito, passou a considerar esse tipo de gasto como supérfluo ou porque se sente mais confiante para se cuidar em casa.

Flávia destaca que apesar da questão financeira ser citada no contexto da retomada desses serviços, chama atenção o volume de pessoas que passaram a valorizar o autocuidado. "Isso abre um leque para que as marcas passem a se conectar com essas consumidoras através de processos e produtos que a ajudem a se cuidar de uma forma mais prazerosa e prática", diz.

 

FONTE: Diário do Comércio