Saiba como vender para o exterior usando o Exporta Fácil dos Correios | ACIRP


29/06/2020

Saiba como vender para o exterior usando o Exporta Fácil dos Correios

Entenda como os pequenos negócios podem estabelecer um processo logístico simplificado para desbravarem fronteiras e diversificarem negócios tanto na crise como fora dela


 


Imagine um pequeno fabricante de anzóis desenvolvidos especialmente para a pesca esportiva de um peixe característico da costa do Uruguai, que de repente foi procurado por um potencial comprador daquele país.   

Mesmo sendo um micronegócio, ele decide desenvolver um processo de exportação: de micro, virou pequeno, conseguiu ampliar sua área de produção e, finalmente, mudou de patamar em seu mercado.  

Montar um programa eficiente para entrar no comércio exterior depende de planejamento e conhecimento prévio, o que inclui um processo logístico eficaz para que a operação comercial se concretize. 

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Para o pequeno empreendedor que acredita que a movimentação de mercadorias para exportação é sinônimo de burocracia e alto custo, há soluções simplificadas e acessíveis para enviar amostras e pequenos volumes.

O processo em si, o melhor custo-benefício ao vendedor e ao comprador, e opções de envio descomplicadas - como o Exporta Fácil, dos Correios -, foram temas do webinar "Logística Eficaz para Exportação de Pequenos Negócios", da SP Chamber, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Do serviço antes chamado de courier, ainda realizado por empresas como FedEx e DHL, até chegar ao botão "exporta", do marketplace Mercado Livre, e à ferramenta dos Correios, criada em 2000, houve uma evolução no serviço de remessas expressas, diz Maurício Manfré, assessor de negócios internacionais da SP Chamber. 

O diferencial agora é a simplificação, já que o Exporta Fácil foi formatado especialmente para atender micro, pequenas e até médias e grandes empresas. O fabricante de anzóis, inclusive, concretizou suas primeiras exportações para o cliente uruguaio através dessa ferramenta, conta Manfré. 

"Outra vantagem também é o acesso já que, esteja o pequeno exportador onde estiver, sempre vai encontrar uma agência dos Correios", destaca. Hoje, há mais de 7 mil espalhadas em todo o país. 

A gestão logística eficiente agrega valor ao produto ao comprador, como serviço prestado pelo vendedor, explica. Conseguir se estabelecer nesse processo sem o sobe-e-desce de crises, com atuação comercial forte, contínua e profissional, resulta no melhor custo-benefício. "É isso o que nos dá competitividade", diz. 

FUNCIONALIDADES  

Criado há 20 anos para facilitar a exportação das MPEs, em parceria com o Banco Central, Receita Federal, Secretaria de Comércio Exterior e outros órgãos, como Ibama e Anvisa, o Exporta Fácil, dos Correios tem parceria com 217 destinos globais, e já enviou mais de 400 mil exportações comerciais de 15 mil empresas. 

"Mais de 90% delas são de micro e pequenos negócios, que exportaram pequenos volumes através do programa", afirma Franciele de Grandis do Nascimento, analista do departamento de negócios internacionais dos Correios em Brasilia, que também participou da live da SP Chamber. 

Mas isso não impede que grandes empresas enviem também amostras e documentos para onde não têm presença física da aduana, afirma. Também oferece rapidez na preparação da exportação, já que as remessas são baseadas em um formulário postal preenchido eletronicamente, mais a Nota Fiscal e a fatura comercial. 

"E não é necessário despachante, pois os Correios representam o exportador no trâmite aduaneiro", diz. "E o principal, no momento do desembaraço da mercadoria, é que os Correios (que providenciam o registro da operação no Siscomex, da Receita Federal) prestam o serviço gratuitamente", completa.  

Entre os principais destinos do Exporta Fácil, estão os Estados Unidos, Portugal, Japão, Reino Unido, Canadá, França, Espanha, Alemanha, Itália e Suíça, segundo Franciele.

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"Nesse período de pandemia, o portal tem uma área de Pré-Postagem onde é possível consultar quais os países estão com o serviço suspenso, seja por restrição de rotas aéreas ou fechamento de fronteiras." 

Em parceria com a Apex-Brasil, o Exporta Fácil também tem um mapa de oportunidades, para que o pequeno negócio identifique, por setor ou país, quais os principais mercados e concorrentes para seu produto. 

Outra parceria do portal é com o Invest Export Brazil, que oferece estudos de mercado sobre como exportar passo a passo, e também como encontrar compradores. "Nele, há mais de mil empresas cadastradas e interessadas em comprar produtos brasileiros", destaca Franciele, que lembra que os Correios também têm consultores de exportação que atendem em todas as regiões do Brasil via central de atendimento

Iniciativa pioneira, o Exporta Fácil é recomendado pela UPU (Universal Postal Union), para que os demais países associados o adotem como modelo para ajudar a fomentar a exportação dos pequenos negócios.   

Para mais informações sobre o Exporta Fácil, clique aqui.  

LOGÍSTICA INTEGRADA

Antes da demonstração das funcionalidades da solução dos Correios para a movimentação de pequenos volumes, que resulta em grandes operações comerciais, segundo Manfré, ele apontou os fundamentos para compor a decisão de desenvolver uma boa gestão logística: tipo de carga, modais, rota e operador logístico.  

Este último é o que torna possível a movimentação da carga entre origem e destino, garantindo meios adequadas à armazenagem e transporte, em condições pré-combinadas entre exportador e importador.  

Uma vez avaliadas todas as variáveis que compõem o processo de transporte internacional, é possível definir a logística aplicável à cada necessidade - como a solução para transportes internacionais de pequenos volumes. 

"Falar em logística integrada muitas vezes assusta o pequeno que quer ser exportador pois acredita que o volume não atinge essa possibilidade - como moda praia, partes e peças, ou os anzóis, por exemplo", afirma. "Mas ela é fundamental para que o pequeno negócio comece a desbravar novas fronteiras", finaliza.


IMAGEM: Thinkstock
FONTE: Diário do Comércio