Três anos de crescimento anêmico da economia | ACIRP


12/03/2020

Três anos de crescimento anêmico da economia

Os efeitos do coronavírus sobre os mercados internacionais, em especial a China, poderá arrefecer também a perspectiva de crescimento da economia brasileira para 2020


Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


A evolução do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, marca o terceiro ano de crescimento “anêmico” da economia brasileira, que encontra grande dificuldade de recuperar a trajetória de expansão anterior à crise de 2015-2016.

Os efeitos do coronavírus sobre os mercados internacionais, em especial a China, poderá arrefecer a perspectiva de crescimento da economia brasileira para 2020, que fica cada vez mais dependente da evolução do consumo da família e do investimento produtivo, cuja atual fraqueza sugere a conveniência de aumentar os estímulos pelo lado do gasto.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 0,5% durante o quarto trimestre do ano, em relação ao terceiro, livre de efeitos sazonais, em linha com as expectativas de mercado, que já esperavam desaceleração nos últimos três meses do ano passado.

Durante 2019 o aumento foi de 1,1%, abaixo dos resultados de 2017 e 2018 (1,3% em ambos casos – ver gráfico abaixo).
 

 

O principal “motor” da expansão da atividade econômica, pelo lado do gasto, continuou sendo o consumo das famílias, que representa 65,0% do PIB, cuja expansão de 1,8% foi menor do que a observada nos dois últimos anos (2,0% e 2,1%, respectivamente).

O aumento do crédito, os juros mais baixos e a liberação do FGTS não foram suficientes para compensar os efeitos do elevado desemprego e da maior informalidade sobre a disposição a comprar, levando à desaceleração do consumo.

No caso dos investimentos produtivos (formação bruta de capital fixo) houve expansão de 2,2%, também inferior às leituras de 2017 e 2018 (2,6% e 3,9%, respectivamente).

Esse arrefecimento poderia ser explicado pelas incertezas associadas à aprovação das reformas estruturais, que desalentaram expansão mais robusta dos investimentos produtivos.

Por sua vez, o consumo do governo, que corresponde ao custeio da máquina pública, apresentou queda de 0,4 %, em linha com a crise fiscal enfrentada pelas três esferas governamentais.

As exportações foram o outro item, pelo lado do gasto, a mostrar queda (-2,5%), por primeira vez em cinco anos, prejudicadas pela guerra comercial Estados Unidos-China, pela crise argentina e pela queda das vendas no exterior de minérios.

A contribuição do setor externo passou a ser ainda mais negativa, pois as importações se elevaram em 1,1%.

Pelo lado da oferta, a atividade industrial manteve o mesmo crescimento de 2018 (0,5%), destacando-se a construção civil, impulsionada pela expansão do setor imobiliário. Pesaram negativamente em sua evolução os impactos do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) e do menor crescimento global.

A produção agropecuária apresentou expansão de 1,3%, levemente inferior à registrada em 2018, apesar do alto desempenho da safra de grãos.

O setor serviços, principal segmento produtivo da economia, também mostrou taxa de expansão abaixo da registrada no ano anterior (1,3%), refletindo os efeitos adversos do elevado desemprego e da baixa recuperação da renda, num contexto de elevada informalidade.

 

FONTE: Diário do Comércio